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Coletivo Olho de Vidro “canta a pedra” e difunde a fotografia em Ouro Preto

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A exposição “Cantando a pedra”, décima primeira mostra do Coletivo Olho de Vidro, pode ser visitada até o dia 20 de agosto, no Anexo do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto. Formado pelos fotógrafos Alexandre Martins, Antônio Laia e Eduardo Tropia, e pelo poeta Guilherme Mansur, o coletivo Olho de Vidro apresenta, a cada ano, uma exposição diferente, unindo poesia e fotografia, com a mesma temática vista por quatro olhares diferenciados. O tema é lançado pelo poeta e cada fotógrafo faz uma leitura particular – os integrantes do Olho de Vidro só conhecem o trabalho dos companheiros durante a montagem da exposição.

Em 2017, Guilherme Mansur lançou o tema “Cantando a Pedra”. Em sua exposição, poemas e pedras compõem a narrativa. Eduardo Tropia explora o mote “Acessibilidade já!”, a partir da falta de planejamento urbano para a mobilidade na cidade de Ouro Preto. “A cidade tem um problema grave de nivelamento e largura das pedras dos passeios. O Guilherme é cadeirante, e fiz o meu trabalho baseado nas nossas conversas”, conta. Enquanto isso, Antônio Laia faz uma crítica à atual situação política do Brasil, e Alexandre Martins explora a relação dos ouro-pretanos com as pedras, dirigindo o foco de seu trabalho para as cenas típicas do cotidiano do morador com a cidade.

A exposição pode ser visitada na Sala Manoel da Costa Ataíde, no Anexo I do Museu da Inconfidência (Ouro Preto/MG) até o dia 20 de agosto, de terça a domingo, das 10h às 18h. A entrada é franca.

Oficina

Em 2016, o Coletivo Olho de Vidro completou 10 anos de criação, entre as comemorações, estava a oficina de fotografia. Cada aluno faria uma releitura de um dos dez temas trabalhados nas exposições do Coletivo. A proposta deu certo e a oficina se repetiu em 2017, com o tema de 2012, “O Barroco Liberto”, escolhido pelos alunos, que tiveram uma semana para fazer e apresentar um ensaio fotográfico.

Alexandre Martins ficou impressionado com os resultados e afirmou a importância da participação de outros participantes nas ações do Coletivo: “É bom darmos oportunidade para as pessoas participarem de alguma forma. Nós, na oficina, não vamos ensinar fotografia, pois os participantes devem ter no mínimo as noções básicas de fotografia, mas a ideia é fazê-los desenvolver um ensaio fotográfico… que é você contar uma história, no caso, através da fotografia”. As oficinas também agregaram muito aos componentes do Coletivo, enquanto instrutores. “A gente instiga. A fotografia é sempre uma busca, você vai tendo um novo olhar sobre ela. Sem dúvidas, é engrandecedor tanto pra nós como para os alunos”, diz Laia.

Benícia Ponciano, que participou pela primeira vez da oficina do Olho de Vidro, sentiu-se desafiada: “Valeu muito a pena, porque achei que não teria essa capacidade e consegui ter um resultado expressivo”. Para ela, as orientações dos três fotógrafos ajudaram para que ficasse satisfeita com o trabalho realizado. Robson Peixoto está no seu segundo ano de oficina e afirma que as duas experiências foram satisfatórias, cada uma com desafios diferentes. “Como o barroco tem muito a ver com escultura, imaginei a libertação de uma peça do barroco de dentro de um pedaço de pedra sabão, crua. Então, fiz uma sequência em que o artesão vai esculpindo a pedra até encontrar uma peça barroca no final”. Ele afirma que quer participar das próximas oficinas, pois ajudam “a instigar o pensamento”. Para Larissa Helena, a pesquisa sobre o tema apresentou outro olhar sobre o barroco: “Em Mariana e Ouro Preto há muitos elementos, e você começa a observá-los de forma diferente. O tema é muito legal, porque é local e faz pesquisar e buscar novas formas de representar, saindo do óbvio”.

Eduardo Tropia, com experiência pessoal em oficinas de fotografia há cinco anos, está sempre buscando outros caminhos profissionais. “Estou deixando de ser um fotógrafo comercial pra ser um fotógrafo na linha autoral e na linha da educação, da formação. É mais gostoso”. Para ele, a oficina Olho de Vidro também se propõe a descentralizar o trabalho do coletivo: “É uma forma de criarmos novos olhos, novos atores dentro do Olho de Vidro”.

História

O Coletivo Olho de Vidro surgiu em 2007, a partir da iniciativa dos fotógrafos Antônio Laia e Heber Bezerra, motivados pela falta de uma mostra fotográfica durante o Festival de Inverno de Ouro Preto. Os dois convidaram os fotógrafos Eduardo Tropia e Dimas Guedes para montar apenas uma mostra de fotografia, no bar Lero Lero. “Até então, não tinha proposta de fazer coletivo nem nada, era só fazer uma mostra de quatro fotógrafos em Ouro Preto e pronto, encerrar aí”, afirma Laia. Em seguida, pediram ao poeta Guilherme Mansur para que escrevesse um texto de apresentação e, a partir desse texto, nasceu o coletivo:

Olho de vidro –  Ouro Preto

Algum tempo depois, outros nomes se juntaram e outros deixaram o Coletivo, e sua formação atual conta com os fotógrafos Antônio Laia, Eduardo Tropia, Alexandre Martins e o poeta Guilherme Mansur.

Além de poeta, Guilherme Mansur é também artista gráfico. É ele quem propõe o tema a ser explorado pelos fotógrafos e compõe a identidade visual das exposições. Com o tema na cabeça e a câmera na mão, cada fotógrafo vai a campo desenvolver os trabalhos individualmente, sem nenhum compartilhamento com os demais.

Os fotógrafos Alexandre Martins e Neno Vianna juntaram-se ao Coletivo no ano de 2008. Carioca radicado em Ouro Preto, Alexandre hoje está na sua décima exposição do Olho de Vidro e conta que a participação da comunidade ouro-pretana tem crescido cada vez mais: “Já de uns três anos pra cá, as pessoas aqui da cidade que acompanham, começam a perguntar na rua… Há uma expectativa. Ou seja, o Olho de Vidro, hoje, não é uma coisa ocasional, ele faz parte do calendário da cidade.”

Alexandre afirma ainda que o Coletivo está constantemente reunido, pois, por volta dos meses de setembro e outubro, o poeta Guilherme Mansur sugere o tema e, a partir desse momento, cada um começa seu trabalho independente. “Há total liberdade e a provocação é essa: que cada um compreenda e interprete o tema à sua maneira, mostrando a diversidade de olhares que as pessoas podem ter em cima de qualquer tema. Acho que repercute bem nas pessoas, porque elas veem essa diversidade”, conta.

“Um quarto da minha vida profissional está dentro do Olho”, afirma o fotógrafo Eduardo Tropia, com 45 anos de profissão e 10 de Olho de Vidro. Ele ressalta como o coletivo abriu  uma nova vontade de fotografar, trazendo um novo encanto pela arte, instigando a leitura autoral, a “porta que a gente teria para fazer os manifestos do cotidiano”.  A partir de 2012, o fotografo passou a trabalhar com fine art, com papel fotográfico de alta qualidade, certificado e numerado.

Participantes da Oficina Olho de Vidro, com os fotógrafos (a partir da esquerda: Alexandre Martins, Leo Homssi, Benícia Ponciano, Antonio Laia, Eduardo Tropia e Robson Peixoto

Serviço

Exposição Cantando a pedra, do Coletivo Olho de Vidro

No Anexo I do Museu da Inconfidência

Visitação até 20 de agosto

De terça a domingo, das 10h às 18h

Entrada franca

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