Quando as autoridades não fazem o seu papel de suporte, um projeto social tem encaixe determinante no desenvolvimento de qualquer área do planeta. E, de certa forma, foi justamente isso que registrou o cineasta e fotojornalista Ilie Mitaru. Todavia, fazendo com que o processo de captação se transformasse em um documentário de nome First Frames (Primeiros Frames, em tradução literal).
Natural da cidade de Kobani, na Síria, o fotógrafo Serbest Salih se refugiou na Turquia ainda em 2014. No ano em questão, forças do grupo terrorista conhecido como Estado Islâmico invadiram sua cidade-natal e o forçaram a fugir.

A partir daí, Selih encontrou na possibilidade de ensinar jovens de regiões carentes da Turquia um modo de usar sua arte como instrumento de projeto social. Em resumo, ele conduz uma sala escura móvel onde consegue trazer conceitos detalhados da fotografia. Por isso, o nome original do projeto é Fotohane Darkroom.
Como o próprio Serbest confessa em entrevista, essa ação ajuda tanto para estabelecer um canal de comunicação como no seu processo pessoal de “curar” as feridas dos violentos episódios que viveu:
“A fotografia tem sua própria linguagem, uma linguagem universal. A fotografia analógica é como uma forma de terapia. E, pouco a pouco, senti que ela estava me ajudando, me curando.”

O documentário que registra o projeto social, aliás, tem seu poder sintetizado em uma bonita explicação do jovem Yusuf Emir. Morador de área onde o acesso a saúde e deslocamento são verdadeiros desafios, o garoto de apenas 11 anos de idade mostra a relevância de conhecer o encantador mundo da fotografia:
“A arte nos ajuda a ver o mundo de diferentes perspectivas. Ela oferece conforto. É por isso que tirar fotos contribui tanto para nossas vidas.”
