Se você tem uma circulação mesmo que razoável nas redes sociais, já deve ter visto o impacto da chamada “trend 2016”. Contudo, se não foi o seu caso, saiba que ela consiste em pegar um retrato daquele ano (de qualquer tipo) e deixar a nostalgia tomar conta.
Para se ter uma ideia de como essa moda pegou profundamente em círculos distintos, podemos olhar para números divulgados recentemente pela BBC. Dados referentes ao TikTok apontam um crescimento de busca pelo termo “trend 2016” em assombrosos 452% apenas na primeira semana do ano. Para se ter uma ideia, em números absolutos, são mais de 56 milhões de vídeos criados com essa temática.
Além do interesse repentino pelo período de dez anos atrás, um ponto relevante deve se considerar: o estilo fotográfico em que se molda a trend 2016. Em suma, o aspecto nebuloso, mexendo com a saturação de forma que a nitidez não se torna prioridade. Na verdade, ela perde importância e espaço diante do aspecto de tons pasteis.
Probabilidade x interesse
Um dos pontos que aparentemente moblizou o público na trend (ao menos, em 2016) é o caráter do algoritmo. Palavra essa tão temida para os iniciantes no mundo de negócios online e perseguida de maneira feroz por quem “jogam o jogo” há mais tempo.
Quem fala de maneira mais detalhada sobre o tema é a autora Kate Kennedy, responsável pela obra “One in a Millennial: On Friendship, Feelings, Fangirls and Fitting In“. Em tradução literal: “Uma em uma geração Millennial: sobre amizade, sentimentos, fãs e aceitação.“
“À primeira vista, parece uma celebração da moda e da música. Mas acho que, na verdade, tem mais a ver com o fato de 2016 estar na encruzilhada entre a nostalgia e a mudança estrutural que não sabíamos que estava acontecendo na internet. Os feeds cronológicos pareciam democracias — cada postagem tinha a mesma chance de ser vista. Um feed algorítmico decide o que você vê com base no seu envolvimento previsto com ele. Não está atendendo ao seu interesse genuíno. Trata-se de mantê-lo no aplicativo pelo maior tempo possível.”
