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Diretor Sam Mendes, da franquia James Bond, fala sobre película 35mm

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O novo filme dos James Bond, Spectre, volta a ser filmado em película 35mm. Embora você possa, geralmente,  esperar um pouco de nostalgia com a franquia Bond, não são muitas vezes que o meio em que foi filmado seja uma parte tão grande da conversa. Mas essa discussão já tinha sido aberta com o último filme, Skyfall, que foi dirigido por Sam Mendes e filmado na Arri Alexa pelo diretor de fotografia, Roger Deakins. Foi o primeiro filme de Bond a ser feito completamente em meio digital, e apesar de ter sido nomeado para um Oscar em cinematografia, nem a ALEXA, nem Deakins, retornaram para o novo filme, que foi filmado pelo diretor de fotografia Hoyte Van Hoytema, que fez Ela e Interstellar, em película 35 mm (com algumas sequências que aparentemente foram gravadas na nova Arri Alexa 6K).

Em um ótimo artigo da American Cinematographer , Mendes tenta explicar o que é que ele mais sente falta em filmar com película:

Com a Alexa, eu perdi a rotina de filmes diários. Usar película dá um salto de qualidade muito grande quando sai da tela do seu monitor com poucos detalhes para as películas diárias, onde o filme começa a realmente ter riqueza. Assistir filmes diários na tela grande pela primeira vez é como o Natal. Com película, há algo para se esperar que melhore, enquanto que com o digital, eu sempre senti que a melhor versão da imagem está em pé ao lado do DIT no set, e que há um passo para trás quando você assiste as películas diárias.

O uso da película

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Enquanto ele diz que é pró-filme, ele também diz que é pró-digital e que realmente amou a forma como algumas das cenas noturnas ficaram em Skyfall. Ele também disse que sentiu menos textura e um tom menos romântico em muitos das cenas exteriores a luz do dia, mas que voltar a usar película o fez sentir tudo isso de novo:

Eu amei usar película novamente. Película é difícil, é impreciso, mas isso também é a glória desse meio. Há uma mágica lá; você ganha muito e às vezes você perde muito, mas o risco vale a pena. Eu estava tão aliviado assistindo as películas diárias do primeiro dia no filme. Tinha um romance, uma ligeira nostalgia, que era minha própria imposição, mas eu tinha essa sensação. E isso não é inadequado quando se trata de um clássico filme da franquia Bond.

Hoje em dia, obviamente filmes digitais parecem fantásticos, e há uma abundância de razões práticas pelas quais grandes filmes de sucesso pararam de usar película 35mm. Filmes rodados digitalmente ganharam prêmios da Academia, mas usar uma película 35 milímetros (e, em menor medida 16 mm) foi a única forma de fazer filme por um longo tempo. Nós chegamos a um ponto onde a escolha de filmar em película é mais emocional do que qualquer outra coisa. Quando você ouve sobre cineastas como Tarantino ou Scorsese falando sobre isso, muitas vezes é um sentimento de nostalgia. Não há absolutamente nada de errado com isso, mas apenas mostra o quão longe o cinema digital chegou, do que a conversa se tornar menos e menos sobre a qualidade de imagem, e mais sobre como ela nos faz sentir quando eu assisto a ela.

Muito disso pode ter a ver com o fato de que a maioria das pessoas que estão trabalhando na indústria cinematográfica cresceram assistindo filmes feitos em películas de 35mm. De qualquer forma, estamos muito longe das conversas de apenas uma década atrás sobre filmes feitos em cinema digital como de menor qualidade do que aqueles filmados em película.

É bom que tenhamos chegado a este ponto. Filme é sempre sobre emoção e conflito. Não é sobre se chegaremos de A para B o mais rapidamente possível, mas sobre como nos sentimos ao ir de A a B, e o meio como foi filmado pode desempenhar um grande papel nisso.

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O Autor

Lucas Couto

Lucas Couto

Sou produtor de filmes independente e economista, com interesses em estudar a economia criativa e tudo que ela pode oferecer.