Voar com um drone parece simples. Até que, por uma série de fatores, acontece o primeiro acidente. Assim como com um carro, moto ou mesmo bibicleta, os erros de drone iniciantes tem um alto custo. Desde equipamento quebrado, conteúdo em produção rejeitado e multas da Agência Nacional da Aviação Civil (ANAC) que chegam a cinco mil reais.
Pra não precisar passar por esses perrengues, neste guia, você aprenderá os 11 erros de drone iniciantes mais comuns. Erros esses que destroem não apenas o equipamento como também a credibilidade do piloto.
A saber, a diferença entre um voo seguro e um desastre reside em detalhes que levam segundos para verificar. Isso porque a maioria dos iniciantes ignora partes vitais do processo antes de chegar aos céus. Como, por exemplo:
- Processo de Pré-Voo;
- Legislação;
- Condições climáticas.
Aqui, nada foi colocado em caráter de exagero. Cada erro tem consequência real. Por isso, vamos abordar os problemas de maneira direta bem como apresentar as melhores soluções.
Erros de drone iniciantes no pré-voo: checklist ignorado, acidente garantido
Em suma, o Pré-Voo separa pilotos profissionais de amadores que perdem equipamento. Nesse sentido, podemos afirmar que três erros não só podem como devastam a maioria dos voos inexperientes.
Calibração de compasso e IMU
O compasso magnético do drone localiza a direção absoluta. Quando você muda de local, campos magnéticos diferentes interferem. Logo, pular a recalibragem é a receita ideal caso você queira deixar seu equipamento à deriva. À partir dai, o drone plana em direção errada, sem comando do piloto, e o acidente se torna questão de tempo.
Por sua vez, o IMU (Unidade de Medida Inercial) detecta movimento nos três eixos. Ele, aliás, funciona junto com o compasso. Se o compasso está errado, o IMU compensa inadequadamente, gerando comportamento errático.
Isto posto, a melhor maneira de evitar tal erro é fazendo a calibração que leva, no máximo, dois minutos. Ignorar, por sua vez, custa o drone inteiro.
Como fazer:
- Abra o app de voo;
- Procure “calibração de compasso”;
- Siga as instruções;
- Depois, calibre o IMU se o app sugerir.
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE!!!
É necessário e mais seguro repetir esse procecimento a cada novo local ou a cada cinco voos no mesmo espaço.
Verificação de bateria
Voar com bateria abaixo de 30% de carga residual força o retorno automático durante o voo. Isso aumenta consideravelmente a chance de perda repentina do controle. E pior: a bateria pode não ter energia suficiente sequer para o planejamento de um pouso seguro.
Desse modo, o protocolo correto imediato é decolar com bateria no máximo (100%). Após a decolagem, fique vigilante para não “abusar” e pouse com 20 a 25% de reserva. Essa margem garante retorno seguro se algo der errado.
O melhor hábito para garantir o cenário de bateria cheia é, antes de ligar o equipamento, coloque seu drone no carregador. Após cada voo, deixe a bateria esfriar 30 minutos antes de guardar e armazene com 50% de carga se o drone ficar parado por semanas. Isso porque baterias “murchas” são baterias perigosas.
Cartão de memória corrompido
Um alerta relevante: deletar arquivos não é formatar. O motivo é que somente deletar deixa os dados ali. Ou seja, a próxima gravação até salva por cima do arquivo anterior, mas apenas parcialmente. O resultado? Aumento substancial das chances de ter arquivos corrompidos, vídeos não abrindo e takes perdidos.
A forma correta de fazer a formatação do armazenamento do seu drone segue os seguintes passos:
- Abra o menu do drone;
- Procure “carregar” ou “armazenamento”;
- Selecione “formatar cartão”.
Simples, né? Ao fazer isso, a câmera deleta tudo de maneira segura, completa e ainda prepara o espaço para novo conteúdo. Faça isso antes de cada missão importante e ter um arquivo corrompido sairá da sua lista de preocupações.
Configuração de câmera: os erros que arruínam a imagem antes do take
Por melhores e mais rebuscados que sejam os recursos atuais de edição, a verdade é que imagem ruim não se salva em pós-produção. Isto posto, é importante se atentar a três configurações capazes de determinar sucesso ou fracasso visual.
Regra do obturador de 180 graus para vídeo
A velocidade do obturador deve ser o dobro da taxa de quadros. Essa regra, aliás, se baseia em física, não em mera opinião.
Exemplos práticos:
- Filmando a 24 fps: velocidade do obturador à 1/50 s;
- Filmando a 30 fps: velocidade do obturador à 1/60 s;
- Filmando a 60 fps: velocidade do obturador à 1/125 s.
Ignorar essa lógica cria, quase que automaticamente, dois problemas opostos. Abrir demais o obturador (superexposição) gera motion blur excessivo — cena borrada, fluida demais, artifical. Fechar demais (subexposição) trava a imagem, criando efeito estroboscópico desagradável.
Como se não bastasse questões práticas, o vídeo fica em tom amador. Isso porque editores profissionais reconhecem erro de obturador ao bater um olho em frame afetado por uma das duas situações.
Abertura e ISO automáticos em luz intensa
Usar modo automático para fotografia de drone é uma verdadeira armadilha. Em dia ensolarado, a câmera do drone superexpõe ou varia exposição durante o voo. Ou seja, o céu azul fica branco, as sombras desaparecem e a cena fica sem dimensão.
O melhor recurso de itens adicionais são os filtros ND (densidade neutra) em vez de depender do automático. Afinal, um filtro ND-8 reduz três stops de luz sem alterar cor. Assim, você tem controle sobre abertura e velocidade do obturador.
Já em luz forte, o uso aconselhado está entre filtros ND-4 ou ND-8, com abertura em f/2.8 ou f/5.6. Aqui, o ajuste ISO deve ser feito apenas em último caso, já que sua medida deve ser a mais baixa possível. Do contrário, o ruído digital aparece e estraga a cena.
Taxa de quadros errada para o projeto
Usando um exemplo prático, Filmar a 30 fps quando o projeto final exige 25% de velocidade (slow motion) destrói o plano. Afinal, a câmera não capturou frames suficientes, deixando o slo-mo irregular, sem fluidez.
Antes de armar o drone, confirme com o cliente (ou chefe) a taxa de quadros necessária. Filmando para TV ou cinema? Provavelmente 24 fps. Filmando para redes sociais com slo-mo? 60 fps. Documentário? 25 ou 30 fps.
Pensando na praticidade, salve essa informação na checklist de Pré-Voo. Isso porque basta um minuto de planejamento economize horas de retomada.
Erros de drone iniciantes com legislação: ANAC, DECEA e multas reais
A lei não perdoa ignorância. Existe, inclusive, previsão jurídica para evital tal cenário baseada no conceito chamado de Presunção Absoluta. Nesse sentido, se supõe que, a partir da publicação de uma lei no Diário Oficial, ela se torna de conhecimento público.
Isto posto, é importante saber que os drones estão sob regulação de seis elementos que, habitualmente, iniciantes desconhecem.
Registro obrigatório na ANAC e categorias de risco
Em suma, todo drone acima de 250 gramas deve estar registrado na ANAC. Abaixo disso, a regulação é menos rigorosa, mas ainda vigente. E é justamente o registro que define a categoria de risco, com estágios entre aberta, específica ou certificada.
- Aberta: Drones até 25 kg, com operação visual, sem autorização prévia. Exige cadastro.
- Específica: Drones maiores ou operações mais complexas. Exige certificado do operador.
- Certificada: Operações críticas. Exige certificação completa.
Estar fora dessa seara é incorrer, pura e simplesmente, na prática de um crime. E a multa certamente vai fazer você pensar duas vezes em burlar a lei, já que estamos falando de penalidade que varia de R$ 5 mil a R$ 50 mil. Além disso, o equipamento é apreendido.
Pra evitar estresse desnecessário, acesse o registro de drones e categorias de risco na ANAC e complete o cadastro AGORA MESMO!.
Limite de 120 m AGL confundido com altitude do app
AGL significa Acima do Nível do Solo. É importante ter isso em mente, já que o altímetro do drone mostra a altura em relação ao ponto de decolagem, não em relação ao terreno real abaixo. Por isso, um erro comum é voar a 120 m, segundo o app, mas estar somente a 50 m do prédio abaixo.
Em outro exemplo concreto, se você decola em uma colina, a 80 m de altitude, e sobe 50 m, o app marca 50 m. Mas, na verdade, você está a 130 m acima do solo. Por consequência, violando a lei.
Uma solução interessante é o uso de aplicativos como SARPAS ou Google Maps para verificar a altitude real do terreno antes do voo, Depois, subtraia a altura do solo de 120 m. Aí, você sabe quanto pode subir.
Voar além da linha de visão (BVLOS) sem habilitação
Para compreender melhor, é essencial saber que a sigla BVLOS abrevia a expressão Beyond Visual Line of Sight (Além da Linha de Visão, em tradução literal). Isto posto, voar além do que você enxerga, sem autorização, é crime federal. E a câmera FPV não substitui a visão direta exigida por lei.
A punição para quem viola esse quesito, por sinal, é ainda mais pesada do que as anteriores. Estamos falando de multa de até R$ 100 mil, equipamento apreendido e antecedentes criminais. Além disso, seu registro na ANAC é cancelado e você não poderá pilotar novamente.
Praticar atos ilícitos, naturalmente, já não vale a pena. Isso faz ainda menos sentido quando a solução legal é, simplesmente solicitar autorização de voo pelo SARPAS do DECEA. O processo leva apenas alguns dias.
Vento, clima e bateria: os erros operacionais que derrubam drones
Quando estamos falando de condições climáticas, não encare isso somente como um detalhe. É fundamental estar ciente que essa questão “mata” mais drones que qualquer técnica ruim.
Para evitar que o clima seja mais um obstáculo no momento de usar seu drone, fuja de três erros operacionais que parecem pequenos. Mas que, se não observados, deixam seu equipamento mais perto de um acidente.
Subestimar o vento em rajada
Não confunda dois elementos distintos quando falamos de velocidade de vento. Isso porque a previsão de vento na superfície pode dizer uma coisa. Enquanto isso, o vento em altitude, onde o drone voa, aponta outra. Enquanto aplicativos mais conhecidos de clima mostram a média, o que derruba um drone é a rajada.
No caráter técnico, a rajada é um pico momentâneo de vento, que varia de 50 a 100% mais forte que a média. Diante de um drone habitualmente leve, basta uma rajada de 40 km/h para lançar longe seu equipamento. Logo, se você estiver voando baixo, o crash é quase que garantido.
Pra evitar problemas com vento, use aplicativos de previsão detalhada como Windy ou Ventusky. Além disso, veja o vento em 100 m de altitude, não no solo. Ns busca, procure como gust (rajada) ou wind gust para saber a velocidade máxima. Se exceder o limite do drone (vale consultar o manual do equipamento), não hesite em cancelar o voo.
Voar sobre aglomerações urbanas sem autorização
Aqui, vale se conscientizar de uma diferença importante. Área urbana é onde há edifícios enquanto área habitada é onde há pessoas. Isso é importante pelo fato da legislação proibir um voo sobre aglomerações sem autorização prévia, mesmo em área aberta.
Antes do voo, abra o SARPAS do DECEA e marque a localização no mapa. Se a área for restrita, solicite NOTAM (traduzível como Aviso aos Aeronavegantes). Aqui, entra novamente a questão do planejamento, já que entre a solicitação e a possível aprovação, estamos falando de prazo variável entre 24 a 71 horas.
Cálculo errado de autonomia em vento contrário
Aqui, é uma questão básica de caráter matemático. Se o drone promete 20 minutos de voo, em ar calmo, o vento de 20 km/h reduz autonomia pela metade. Ou seja, dez minutos.
Isso porque, contra o vento e sua resistência natural, o motor (e consequentemente a bateria) precisam trabalha mais. No campo das ideias, isso parece óbvio. Mas basta não colocar isso na equação e o preço pode (e provavelmente vai) ser bem alto.
