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Cindy Sherman: a fotógrafa americana especializada em autorretrato

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Muito antes das famigeradas selfies se proliferarem em nosso cotidiano, existiram (e ainda existem) os autorretratos, que apareceram desde as primeiras expressões artísticas humanas, já que o homem primitivo deixava a marca da sua mão nas paredes das cavernas como forma de registar a sua presença, numa possível tentativa de imortalização. Posteriormente, na pintura, grandes artistas se retrataram. Com o nascimento da fotografia, não foi diferente, ainda mais com a rápida evolução da fotografia digital.

Nesse contexto, apresentamos uma das maiores fotógrafas que trabalha com autorretrato atualmente:  Cindy Sherman,  fotógrafa e diretora de cinema norte-americana, mais conhecida por seus autorretratos super conceituais. Por meio de seus diversos de trabalhos, Sherman levantou questões importantes e desafiadoras sobre o papel e a representação das mulheres na sociedade, na mídia e a natureza da criação de arte.

Suas fotografias, ricas em cor e extremamente contrastantes, podem ser confundidas com autorretratos, quando na verdade não mostram seu verdadeiro eu, mas sim, os personagens criados para realizar aquela fotografia específica. A própria fotógrafa é a protagonista que interpreta diversos personagens criados e desenvolvidos por ela mesma, que tem como objetivo desencadear uma série de reflexões.

Seus personagens são baseados em imagens que encontramos de forma fácil e frequente em revistas, televisão e internet, nos meios de comunicação em geral. Quando ela começou a produzir suas fotografias, buscou inspiração em personagens de filmes, como donas de casa e prostitutas, trabalhando estereótipos de mulheres que são representadas na mídia.

Sherman é considerada uma artista completa, pois é ela quem cuida de toda a produção da fotografia, desde a maquiagem à locação. Suas imagens abordam questões feministas e indagam o papel social do artista em nossa sociedade. Em sua exposição retrospectiva no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA), Sherman foi comparada ao icônico artista plástico Andy Warhol e o cineasta espanhol Pedro Almodóvar.

Cindy Sherman interessou-se pelas artes visuais no Buffalo State College, onde ela começou a pintar. Frustrada com as suas limitações, ela abandonou a forma e tornou à fotografia. Durante uma entrevista, ela revelou: “Não havia mais nada a dizer  sobre a pintura. Eu estava meticulosamente copiando a arte de outros e então eu me dei conta que eu poderia somente usar uma câmera e colocar em prática uma ideia instantânea.” Ela passou o resto dos seus anos de faculdade focada na fotografia.

No dia 18 de maio de 2011, um autorretrato dela vestida como colegial, datado de 1981, foi vendido em um leilão pelo valor de aproximadamente 4 milhões de dólares. A venda superou todas as expectativas e entrou para o mundo dos recordes, pelo segundo preço mais alto já pago por uma fotografia:

Desde a invenção da máquina fotográfica, ela serviu não apenas para fotógrafos fazerem os seus autorretratos, mas também, a muitos outros artistas ou entusiastas que usaram o meio para o mesmo fim. Pode-se dizer com certeza que não há fotógrafo que não tenha feito pelo menos um autorretrato durante a vida, algo que acontece desde os primeiros tempos da fotografia. Cindy Sherman não foi a primeira, nem será a última a trabalhar com grande maestria sobre o autorretrato. Porém, com certeza, já escreveu o seu nome como uma das maiores autorretratistas da contemporaneidade. E você, já fez o seu autorretrato?

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O Autor

Marco Antonio Barros

Marco Antonio Barros

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina. Tem experiência em TV, Rádio, Jornalismo Impresso e Fotojornalismo.