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História da fotografia e técnicas fotográficas

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A fotografia trata-se da geração de imagens através de câmeras fotográficas. Estas últimas são instrumentos que permitem a otimização da incidência de luz sobre um material fotossensível: a luz incide sobre tal material (filme fotográfico) através de uma abertura normalmente munida de lentes da câmera.

O filme, por sua vez, ao receber a luz refletida pelo objeto fotografado, tem reproduzida com grande fidelidade em sua superfície bidimensional a imagem do objeto fotografado. Com a evolução dos equipamentos envolvidos nos processos fotográficos, hoje em dia vários acessórios existem para a otimização das imagens, possibilitando a reprodução de imagens sob as mais variadas condições de luz e ainda possibilitando variados resultados de efeitos de luminosidade e cor.

 Tais acessórios são as objetivas (como a teleobjetiva, utilizada para a captura de imagens de objetos em maior distância, a macro, utilizada no caso da grande proximidade dos objetos em relação à câmera, e a grande-angular, também chamada “olho-de-peixe”, que aumenta o campo de “visão” da máquina fotográfica, gerando em alguns casos distorções nas imagens reproduzidas), além de filtros (como por exemplo os filtros polarizadores, que podem filtrar e portanto reduzir a grande reflexibilidade de objetos feitos de vidro e metal) e filmes das mais variadas características como, por exemplo, o grau de fotossensibilidade, os filmes em cores e em preto e branco.

O processo da fotografia ainda envolve o trabalho de laboratório na revelação dos filmes: em salas escuras, as imagens obtidas nos filmes fotográficos negativos são ampliadas sobre papéis fotográficos positivos através do ampliador fotográfico. Os papéis passam por processos químicos posteriores, sendo banhados em compostos químicos diversos como o revelador e o fixador (hipossulfato de sódio ou de amônio). Após a banhagem e posterior lavagem dos papéis fotográficos, estes passarão por um período de secagem. Destes processos resultam finalmente as fotos. A origem do uso da fotografia estava vinculada a objetivos estéticos e artísticos. No entanto, hoje em dia a fotografia tanto é utilizada como meio de comunicação (no jornalismo e na publicidade) como também na criação de imagens esteticamente elaboradas com finalidades artísticas.

Fotografia (do grego photos, “luz”, e graphos, “gravação”) é um processo técnico pelo qual se obtém o registro de uma imagem mediante a ação da luz sobre uma superfície (chapa, filme ou papel) revestida de uma camada de sais de prata, que são sensíveis à luz. Por extensão, inclui-se a formação de imagens que resultam da ação de certas radiações invisíveis (raios ultravioleta e infravermelhos) e imagens registradas em outros materiais sensíveis que não contêm prata, por meio de processos químicos ou físicos ou ambos, combinados. Outras técnicas relacionam-se com o processo fotográfico, como o registro de imagens por raios X, feixes eletrônicos e radiações nucleares e a gravação e transmissão de imagens luminosas estáticas ou dinâmicas, na forma de sinais eletromagnéticos (televisão e videoteipe).

História da Fotografia

A fotografia nasceu de muitas experiências de alquimistas e químicos quanto à ação da luz. Desde 1525 sabia-se do escurecimento dos sais de prata. O trabalho do físico alemão Johann Heinrich Schulze, em 1727, e do químico suíço Carl Wilhelm Scheele, em 1777, comprovou que o enegrecimento dos sais se deve à ação da luz. Após inventar o fisionotraço e a litografia, o francês Joseph-Nicéphore Niepce obteve, em 1817, imagens com cloreto de prata sobre papel. Em 1822, ele fixou uma imagem pouco contrastada sobre uma placa metálica: as partes claras em betume-da-judéia (insolúvel sob a ação da luz) e as sombras na base metálica. Quatro anos depois, Niepce produziu a primeira fotografia conseguida no mundo, tirada da janela de sua casa e preservada até hoje.

Louis-Jacques Mandé Daguerre pesquisou com Niepce desde 1829 e dez anos mais tarde lançou o processo chamado daguerreótipo, em que uma placa de cobre prateada e polida, submetida a vapores de iodo, formava sobre si uma camada de iodeto de prata. Exposta à luz numa câmera escura (de quatro a dez minutos, conforme a iluminação do objeto, e com abertura em torno de f/15), essa placa era revelada em vapor de mercúrio aquecido, que aderia às partes onde a luz incidia e mostrava as imagens, fixadas por uma solução de tiossulfato de sódio. Embora o daguerreótipo não permitisse cópias, o sistema de Daguerre logo se difundiu por todo o mundo. Os tempos de exposição, de início muito longos, encurtaram-se com o trabalho do austríaco Friedrich Voigtländer, que em 1840 criou lentes com abertura maior, e do britânico John F. Goddard, que ressensibilizava a placa com bromo.

Primeira câmera fotográfica da história, o Daguerreótipo.

O químico britânico William Henry Fox Talbot lançou, em 1841, outro processo para obter e fixar imagens, o calótipo. Um papel impregnado de iodeto de prata era exposto à luz em câmera escura, e depois a imagem era revelada com ácido gálico e fixada com tiossulfato de sódio. Daí resultava um negativo, que era impregnado de óleo até tornar-se transparente. O positivo se fazia, como hoje, por contato com papel sensibilizado. Embora o calótipo tivesse menor definição que o daguerreótipo, foi a primeira fase na linha de desenvolvimento da fotografia, dentro da qual o daguerreótipo conduziria à fotogravura, processo utilizado para reprodução de fotografias em revistas e jornais.zzzzzz

William Henry Fox Talbot, por John Moffat, 1864

Em 1851, o britânico Frederick Scott Archer inventou a emulsão de colódio úmida. A uma solução de piroxilina em éter e álcool, adicionava um iodeto solúvel, com certa quantidade de brometo, e cobria uma placa de vidro com o preparado. Na câmera escura, o colódio iodizado, imerso em banho de prata, formava iodeto de prata com excesso de nitrato. Ainda úmida, a placa era exposta à luz na câmera, revelada por imersão em pirogalol com ácido acético e fixada com tiossulfato de sódio. Em 1864, o processo foi aperfeiçoado e passou-se a produzir uma emulsão seca de brometo de prata em colódio. Em 1874, as emulsões passaram a ser lavadas em água corrente, para eliminar sais residuais e preservar as placas. Três anos antes, no entanto, o britânico Richard Leach Maddox fabricou as primeiras placas secas com gelatina em lugar de colódio. Em 1877, grandes empresas já dominavam o comércio de emulsões rápidas.

Câmera obscura, de um manuscrito de desenhos militares. Século XVII, possivelmente italiano.

Filmes. Como as placas de vidro — suportes das emulsões — eram frágeis e pesadas, buscavam-se materiais leves e flexíveis. Em 1870, o americano John W. Hyatt descobriu a celulose. O fornecimento desse material em bobinas flexíveis, em 1875, marcou o início da transformação. Em 1884, George Eastman e dois sócios lançaram no mercado um aparelho (a primeira Kodak) com um rolo de negativo de tamanho suficiente para tirar cem fotos. Essas câmeras portáteis voltavam à fábrica para revelar o filme e serem recarregadas. Os filmes flexíveis transparentes surgiram com a descoberta da solubilidade da nitrocelulose no álcool de madeira em 1889. A indústria pôs à venda, em 1891, filmes carregáveis à luz do dia e, em 1903, filmes em embalagens de segurança, tipo magazine. O acetato de celulose, inflamável, foi substituído em 1908 pelo nitrato de celulose no preparo da base do filme. Na década de 1950, o triacetato substituiu o nitrato e, em 1956, o poliéster passou a ser usado na fabricação de filmes com as vantagens da claridade óptica, maior resistência e quase total tolerância à umidade.

Reveladores. O francês Henri-Victor Regnault e o alemão Justus von Liebig descobriram o ácido pirogálico, revelador mais forte do que o vapor de mercúrio e o ácido gálico. Em 1861, dispensou-se o nitrato de prata nos reveladores e descobriu-se a revelação alcalina com pirogalol. William Abney, em 1880, revelou fotos com hidroquinona. Outros reveladores vieram: em 1888, a parafenilenodiamina; em 1891, o metol, e depois a fenidona.

Cartaz em 1901

Técnicas fotográficas

A fotografia é muitas vezes definida como a “arte de escrever com a luz”. É a luz, em grande medida, que determina a qualidade da foto. Um conceito básico da fotografia diretamente associado à intensidade luminosa é o de exposição, relação entre a quantidade de luz e o tempo de sua incidência sobre o material sensível. Definida pela fórmula E = it, a exposição é igual ao produto da intensidade da luz pelo tempo de incidência. A sensibilidade do filme determina a rapidez do material fotossensível, isto é, o índice que revela a necessidade de exposição do material para se obter um bom registro da imagem. A rapidez é inversamente proporcional à exposição: quanto mais sensível o material, menor o tempo de exposição.

Opacidade e densidade. O índice de opacidade do negativo é a sua densidade, ou a capacidade que uma área do papel ou do filme possui para absorver a luz. As áreas de alta densidade absorvem grandes quantidades de luz e aparecem mais escuras no negativo e mais claras na cópia. Chama-se densidade de véu a densidade residual de parte não exposta do material sensível. Certos métodos de revelação ou focos de luz secundários podem criar véu no negativo, o que se considera como defeito.

Contraste: Uma fotografia, em preto e branco ou em cores, apresenta vários tons. Essa variação é dada pelo contraste, que faz com que as imagens variem das sombras e meios-tons até as altas-luzes (highlights), partes intensamente brancas do objeto fotografado. Essa escala de tons denomina-se gradação.

Resolução: Todo material fotográfico tem a propriedade de registrar, de forma mais ou menos visível, detalhes do objeto fotografado. Essa capacidade é o poder de resolução do filme, em geral catalogado em pares de linha por milímetro, com o objetivo de fornecer as possibilidades da fotografia final. Há instrumentos sofisticados que medem o desempenho das lentes e filmes, em termos de nitidez e contraste. A partir da leitura desses instrumentos, obtém-se um gráfico que fornece a curva MTF (de modulation transfer function, função de transferência de modulação).

Emulsões fotográficas: Embora chamado comumente de “emulsão”, o material sensível usado em fotografia é na verdade uma suspensão de micropartículas de cristais de haletos de prata dispersos num meio coloidal, atualmente a gelatina, que os isola e protege. Os haletos que formam a parte sensível da emulsão consistem, para as emulsões negativas, em brometo de prata com pequena quantidade de iodeto ou, para as positivas e papéis fotográficos, cloreto de prata com brometo. As partículas sensíveis, ou grãos, de igual composição cristalográfica, variam de forma, tamanho, composição e reação à luz. Um material sensível classifica-se em:
1) emulsões de granulação pequena, lentas, de altos contrastes;
2) emulsões de grãos grandes, rápidas, de menor contraste.

Algumas emulsões não apresentam sensibilidade para todas as cores. Os sais de prata são sensíveis apenas ao azul, ao violeta e ao ultravioleta. Com a adição de corantes sensibilizadores conseguem-se emulsões sensíveis às outras cores. Quanto à sensibilidade espectral, as emulsões fotográficas são:
1) ordinárias, sensíveis ao azul, violeta e ultravioleta, usadas para fins gráficos;
2) ortocromáticas, sensíveis àquelas radiações e ao amarelo-esverdeado;
3) pancromáticas, de uso geral, sensíveis a todas as radiações luminosas, ao máximo para o azul e ao mínimo para o vermelho;
4) emulsões infravermelhas, usadas para fins técnicos.

A escala de sensibilidade dos filmes fotográficos, adotada internacionalmente, é a ISO, e seus índices são grafados, por exemplo, como 200/24o. A primeira parte desse índice (200), aritmética, mostra um valor diretamente proporcional à sensibilidade e é idêntica ao índice ASA (de American Standard Association, ou Associação Americana de Normas Técnicas), ainda de uso corrente. A segunda parte, logarítmica, aumenta em 3o a cada duplicação da velocidade e corresponde à escala DIN ainda empregada em alguns países europeus. Um filme de 200/24o ISO tem o dobro da sensibilidade de outro de 100/21o ISO e metade da de um filme de 400/27o ISO. Os filmes de uso geral têm sensibilidade entre 80/20o e 200/24o ISO; os materiais de grão fino, para máxima definição da imagem, variam de 25/15o a 64/19o ISO; e os filmes rápidos e ultra-rápidos, para ambientes de pouca luminosidade ou fins especiais, de 400/27o a 1600/33o.

Revelação. Para revelar o filme é necessário tratá-lo com uma solução química que contém vários compostos, dosados para a redução controlada dos grãos de haletos expostos a prata metálica, de forma a converter a imagem latente em imagem visível.

Os reveladores compõem-se de:

1) agentes reveladores propriamente ditos, compostos orgânicos cuja energia redutora só revela os grãos expostos. Os principais são o amidol, que se deteriora facilmente; a glicina, de ação lenta e poderosa; a hidroquinona, de baixa energia e produtora de contrastes; o metol, rápido e de longa vida útil; o paraminofenol, que, de ação rápida e suave, não produz véu, mesmo nas altas temperaturas dos trópicos; a parafenilenodiamina, que produz grãos muito finos, e imagem dicroica, negra, com luz transmitida, e creme, à luz refletida; e o pirogalol, de ação suave e lenta, que produz imagens negras e véu amarelo e cor sépia com bom contraste.

2) Preservadores, que protegem da oxidação pelo ar os agentes reveladores em solução. O mais empregado é o sulfito de sódio, amorfo ou cristalino. Adiciona-se bissulfito de sódio e metabissulfito de potássio à solução quando é preciso uma alta taxa de bissulfito, sem elevar o pH. Outros preservadores são o cloreto estanoso, o manitol, o sorbitol, o ácido benzóico, o ácido glicólico e o ácido salicílico.

3) Aceleradores, substâncias alcalinas ou compostos combináveis aos sulfitos utilizados para acelerar a atividade dos agentes reveladores. Formam complexos que se hidrolisam, liberam íon hidroxila e produzem um álcali. O álcali mais utilizado como ativador é o carbonato de sódio; seguem-se os boratos, fosfato trissódico, sulfito de sódio, hidróxidos de sódio, potássio e amônio, e álcalis orgânicos, como a trietanolamina.

4) Moderadores, cuja principal função é reduzir ou eliminar o surgimento de véu. A presença de moderadores alcalinos, como brometo de potássio, iodeto de potássio ou cloreto de sódio, nas soluções reveladoras, baixa a ionização dos haletos de prata e reduz a concentração dos íons de prata, com a finalidade de moderar a revelação. Outros moderadores empregados são compostos orgânicos derivados do nitrogênio, que formam complexos com os haletos de prata. São o 6-nitrobenzimidazol, o benzotriazol, o 5-clorobenzimidazol, a tiocetanalida e o tetrazol.

5) Agentes especiais, substâncias destinadas a atuar em condições difíceis, adicionadas às soluções reveladoras. Os mais conhecidos são: (a) solventes: álcoois metílico, etílico e isopropílico; (b) abrandadores de água (para uso em águas duras, que contêm os íons cálcio, magnésio e ferro em solução), como o hexametafosfato de sódio; (c) agentes umedecedores (que diminuem a tensão superficial entre a solução e a superfície a revelar), compostos orgânicos de ácidos graxos; (d) agentes contra inchação (para evitar o superamolecimento da gelatina); (e) endurecedores da gelatina: alúmen, sulfato de alumínio, formaldeído, ácido tânico; (f) controladores da penetração: açúcar, dextrina, glicerol e outros; e (h) solventes de haletos de prata: tiocianato de potássio, cloreto de amônio (para revelação de grão fino), amônia e sais do amoníaco (em processos de inversão de tonalidade).

Fixação e lavagem. Para que a imagem fotográfica se torne permanente, é necessário dissolver todos os halógenos de prata, sensíveis à luz, que se mantêm na emulsão após a revelação. A fixação é o processo de conversão dos halógenos em sais complexos solúveis em água. Adicionam-se aos banhos fixadores substâncias que interrompem a revelação, evitam véu e endurecem a gelatina. O fixador mais empregado é o tiossulfato de sódio, chamado comumente hipossulfito ou hipo. Os banhos fixadores classificam-se em: (1) banhos que contêm 15% a 40% de hipossulfito em água (quando não é preciso endurecer a gelatina ou no caso em que a presença de um ácido alteraria a granulação ou mudaria a tonalidade da cópia); (2) banhos fixadores neutros, que usam agente fixador o sulfito de sódio, de propriedades antivéu e vida útil mais longa; (3) banhos ácidos, que neutralizam o revelador, param a revelação e evitam o véu, e têm também tiossulfato e bissulfito de sódio; (4) banhos ácidos endurecedores, com tiossulfato de sódio, sulfito de sódio, ácido acético e alúmen de potássio.

A lavagem, que remove os reagentes em excesso formados no processo de fixação, é em geral feita em água corrente ou em soluções de água com água oxigenada e amônia. O tempo de lavagem é de vinte minutos, para filmes; vinte a sessenta minutos, para papel de cópia de gramatura simples; e 35 a 120 minutos, para papel de gramatura dupla.

Fotografia em cores. A primeira fotografia colorida foi feita em 1891, mas os princípios básicos da foto em cor como a conhecemos devem-se a James C. Maxwell, que fotografou fitas coloridas através de filtros vermelhos, verde e azul. A partir dos negativos, Maxwell produziu três transparências positivas em preto e branco; projetou-as sobre uma tela, simultaneamente, por meio de três lanternas, cada uma delas com luz correspondente à cor do filtro usado no negativo. A imagem reproduzia as fitas coloridas.

A primeira fotografia em cores feita pelo método de três cores sugerido por James Clerk Maxwell em 1855, tirado em 1861 por Thomas Sutton. O assunto é uma fita colorida, geralmente descrita como uma fita tartan.

Ducos du Haron, em 1869, expôs os métodos básicos da foto colorida: o aditivo e o subtrativo. No método aditivo, em desuso, a cor branca se produz pela adição do vermelho, do verde e do azul, tanto pela projeção simultânea de três imagens monocromáticas sobre uma tela; como pela projeção das imagens em rápida sucessão na tela; ou pela formação de pequenas imagens monocromáticas justapostas.

Nos métodos subtrativos, três negativos são feitos separadamente com luzes vermelha, verde e azul. Em seguida, produzem-se positivos com as cores complementares às usadas para elaborar o negativo, e os três são copiados simultaneamente sobre o papel branco ou outro filme. O negativo feito com luz vermelha é copiado em azul-esverdeado (ciano), o de luz azul é copiado em amarelo e o de luz verde em magenta. O processo foi lançado em 1935 pela Eastman Kodak (Kodachrome): ao invés de tratar os negativos separadamente ou simultaneamente um a um, faz-se uma superposição integral dos três (tripack ou monopack).

Câmera fotográfica

Aparelho que executa a exposição do material sensível à luz, a câmera funciona com base no princípio óptico da câmera escura, conhecido desde 400 a.C. e estudado por Alhazen, Roger Bacon, Leonardo da Vinci, Girolamo Cardano, Danielo Barbiero e Ignazio Danti. A câmera escura originalmente consistia num quarto totalmente sem luz, no qual uma das paredes tinha um orifício, através do qual se projetava na parede oposta uma imagem invertida. A primeira câmera fotográfica foi fabricada por Alphonse Giroux por encomenda de Daguerre (1839), em Paris. Consistia em duas caixas de madeira que deslizavam uma dentro da outra para focalizar; uma lente acromática, com tampa metálica capaz de funcionar como obturador; um vidro fosco para a focalização; e um suporte para as placas sensíveis. Surgiram mais tarde outros modelos mas, depois que Talbot inventou as câmeras com caixas telescópicas, não houve grandes modificações.

Descrição e funcionamento. A câmera fotográfica consta dos seguintes componentes:
1) o obturador, que permite a entrada da luz na câmera por tempo determinado;
2) a lente, elemento que capta a imagem;
3) suportes para o material sensível;
4) um invólucro impermeável à luz que sustenta a lente e suportes para o material na posição correta;
5) um visor para mostrar o objeto que se pretende fotografar. São acessórios o equipamento para iluminação artificial (fotolâmpadas e flash), tripé, filtros, lentes intercambiáveis, telêmetros, fotômetros e outros.

Diafragma e obturador. O orifício que era atravessado pela luz nas antigas câmeras tipo “caixote” foi substituído por um diafragma ajustável, que pode variar a abertura e a quantidade de luz que o filme receberá. As diferentes aberturas são designadas pela notação f/N, em que N, na maioria das câmeras modernas, pode ser: f/1,4, f/2, f/2,8, f/4, f/5,6, f/8, f/11, f/16 e f/22 (o número f é obtido dividindo-se a distância focal da objetiva pelo diâmetro de seu elemento frontal).

Enquanto o diafragma controla a quantidade de luz, o obturador fixa a velocidade da exposição. As câmeras mais sofisticadas permitem várias velocidades de exposição, hoje, em geral, 1 seg, 1/2 seg, 1/4 seg, 1/8 seg, 1/15 seg, 1/30 seg, 1/60 seg, 1/125 seg, 1/250 seg, 1/500 seg e 1/1.000 seg e, em alguns modelos eletrônicos, 1/4.000 seg ou velocidades ainda maiores. O tipo mais comum de obturador (compur) é montado entre os elementos anteriores e posteriores da lente. Ao ser pressionado o disparador, vários setores circulares saltam concentricamente e voltam à posição primitiva. Posteriormente disseminou-se o tipo de obturador de cortina horizontal.

A nitidez da imagem é maior quando a lente está ajustada de acordo com a distância exata ao objeto. Como normalmente uma cena inclui objetos a diferentes distâncias da câmera, há uma perda natural de nitidez. Dentro de uma certa faixa, no entanto, a perda de nitidez é quase imperceptível. Essa faixa é a chamada profundidade de campo. Além de controlar a quantidade de luz que atinge o filme em determinado período de tempo, a abertura do diafragma determina também a profundidade de campo. Quanto menor a abertura (número f elevado), maior a profundidade de campo. Para “parar” um movimento, unem-se velocidade alta, que limita o tempo de incidência de luz, e maior abertura do diafragma. Com velocidades inferiores a 1/50 seg, a câmera deve ser apoiada num tripé, para se manter firme.

Objetivas. As câmeras simples têm uma só lente, montada no orifício que deixa a luz refletida pelo tema atingir o filme. As mais sofisticadas usam sistemas ópticos anastigmáticos que, pela justaposição de duas ou mais lentes, corrigem as aberrações ópticas. Distância focal é aquela entre o centro óptico da objetiva e o plano do filme, quando um objeto afastado está em foco. As câmeras são normalmente equipadas com lentes de distância focal quase iguais à diagonal do filme que usam. A objetiva normal de uma câmera que utilize filme 135 (24mm x 36mm), tem distância focal de 50mm. Lentes com distâncias focais inferiores à lente normal são chamadas grandes-angulares, enquanto as de distância superior são denominadas teleobjetivas. Quanto maior a distância focal da lente, menor a profundidade de campo.

Grande-angular. Equipada com uma objetiva grande-angular, a câmera reproduz uma área maior do assunto. Emprega-se muito em fotografias arquitetônicas e de interiores. É necessário aproximar bem a câmera do objeto para obter uma imagem grande.

Teleobjetiva. Com ângulo de visão mais estreito que a lente normal, a teleobjetiva reproduz uma área menor do tema, mas em escala maior. É útil para fotos de modelos de difícil aproximação, como crianças, animais, detalhes arquitetônicos e cenas desportivas.

Zoom. Lente de distância focal variável, a zoom pode ser utilizada, com continuidade, como grande-angular, lente normal ou teleobjetiva. Dessa forma, o operador, sem sair do lugar, passa de um plano aproximado a uma cena distante.

No final da década de 1850, John Waterhouse inventou o diafragma intercambiável com um buraco que caiu em uma fenda no tubo da lente.

Iluminação. A exposição correta pode ser medida com o auxílio de fotômetros, tabelas e calculadoras. O tipo de iluminação determina a forma como a foto reproduzirá o tema. A posição e a orientação da luz pode ser usada para criar efeitos de contraste, suavização do tema ou achatamento dos planos. Se a luz é insuficiente, o fotógrafo utiliza iluminação artificial. As fontes mais comuns são a photoflood e o popular flash. Photoflood é uma lâmpada possante, operável na corrente comum, que produz uma luz contínua. O flash produz luz intensa mas de duração momentânea. É valioso na fotografia de objetos em movimento sob luz fraca. Flash e câmera têm de ser sincronizados para operar ao mesmo tempo.

Principais tipos de câmeras. As câmeras podem ser classificadas de acordo com o tipo de filme que usam ou com o visor com que operam. Atualmente, a maioria das câmeras usa filmes de rolo de 35mm de largura, com até 36 fotos (filme 135), embora também sejam comuns os filmes de 9,5mm (110) e 16mm (126). Já os profissionais empregam de preferência filmes 135 ou 120 (6 x 6cm). Todas as câmeras podem ser agrupadas em não-reflex e reflex. Nas primeiras, a visão da imagem através do visor é direta e não corresponde exatamente àquela registrada no filme. Nas outras, um sistema de espelhos e prismas entre a lente e o visor permite que o fotógrafo veja exatamente a imagem que será registrada. As câmeras reflex podem ter uma lente, quando são chamadas SLR (de single-lens reflex, de lente monocular reflex), ou duas, as TLR (de twin-lens reflex, lente reflex geminada). Na década de 1990, a incorporação de objetivas zoom fixas às câmeras de 35mm deu origem a uma nova categoria: a ZLR (zoom-lens reflex).

A câmera de estúdio, ou de fole, é muito utilizada por fotógrafos profissionais para a produção de fotos de alta qualidade, principalmente para a publicidade. Quase sempre montado num tripé, esse equipamento emprega folhas de filme de 10,2 x 12,7cm. Outro tipo de câmera, a de revelação instantânea, criada em 1947, pode produzir cópias coloridas em apenas um minuto, a partir de um filme especial. Esse equipamento tem importante aplicação em perícias técnicas, como as realizadas por companhias de seguros; em testes de iluminação para fotos de estúdio; e na medicina, nos exames de endoscopia.

Automação. No final do século XX, a incorporação da eletrônica às câmeras foi a principal tendência da indústria de equipamentos fotográficos. As câmeras mais modernas oferecem recursos automáticos de focalização, sistema de medição de luz e flash. A máquina é capaz de ajustar o foco, pelo emprego de raios infra-vermelhos ou sinais ultra-sônicos. Em alguns modelos, o fotógrafo escolhe um ponto de focalização, em outros, o sistema seleciona a imagem mais nítida para focalizar ou detecta para onde o fotógrafo está olhando. Sensores eletrônicos acionam o flash, quando a iluminação não é adequada, e selecionam velocidades de disparo, para compensar movimentos do objeto fotografado, e aberturas de lente, de acordo com a luz ambiente.

Fotografia eletrônica. Os dispositivos de gravação de imagens fotográficas em suportes magnéticos surgiram como conseqüência natural da evolução dos computadores e dos videocassetes. O primeiro equipamento de gravação magnética de fotografias em disquetes e fitas foi demonstrado pela Sony, em 1981. Em 1990, a Kodak anunciou o lançamento do Photo CD, capaz de varrer imagens de 35mm e digitalizá-las em discos compactos. As imagens registradas podem ser reproduzidas por meio de um aparelho de televisão ou monitor de computador ou, ainda, impressas em papel. Além de competir com as máquinas convencionais, esse tipo de equipamento é capaz de transmitir a imagem por linha telefônica.

Aplicações da fotografia

Campo tecnológico. A tecnologia é um amplo campo de aplicação para a fotografia: ela registra radiações de comprimento de onda invisíveis ao olho humano; integra radiações muito fracas de modo a obter um registro visível; mede intensidade de radiação ou registra movimentos rápidos imperceptíveis ao observador. Em biologia, metalurgia e petrografia, a foto microscópica é grande auxiliar do pesquisador. Também na espetrografia pode-se fotografar com filmes pancromáticos ou comuns, sensíveis ao azul para a zona ultravioleta. Adaptam-se filmes para fotografar com luz infravermelha, no escuro e na neblina, através da pele, para estudos de obras de arte e têxteis falsificados ou deteriorados. A fotografia com raios ultravioleta é usada no exame de documentos falsificados, restaurações, detecção de escrita invisível ou de impressões dactiloscópicas.

Fotografias de alta velocidade são de extrema importância na ciência e na tecnologia, pois possibilitam o registro de uma fase ou de uma seqüência de fases de acontecimentos muito rápidos, como, por exemplo, explosões. Em astronomia, a observação visual através do telescópio já foi quase inteiramente substituída pela fotografia. Em artes gráficas, processos de impressão, como o offset, ou de composição (fotocomposição), utilizam a fotografia. Também na topografia um papel importante é exercido pela fotografia, com destaque para os processos de levantamento aerofotogramétrico.

Fotojornalismo. Até o final do século XIX, quando foi aperfeiçoado o processo da autotipia, com a introdução e o aprimoramento das retículas, as primeiras publicações a ilustrar as notícias (Illustrated London News, Harper’s Weekly) usavam uma reprodução xilográfica da foto. A primeira reprodução de uma foto em jornal apareceu no New York Daily Graphic, em 1880, e o primeiro jornal a ser ilustrado exclusivamente com fotos foi o London Daily Mirror, em 1904.

Antes de ser empregada na imprensa, a foto foi usada como documentação para reportagens de fundo social. Uma das fotorreportagens pioneiras foi a série de Jacob Riis, do New York Evening Sun, em 1887, sobre os cortiços de Nova York. Publicadas no jornal, as fotos foram depois reunidas no livro How the Other Half Lives (1890; Como vive a outra metade). Na década de 1920, com o aperfeiçoamento de câmeras, filmes e iluminação artificial, surgiu e logo se difundiu o instantâneo. Em 1930, o alemão Stefan Lorant definiu: “A câmera é o caderno de notas do repórter experiente.”

Fotografia como arte

Os primeiros fotógrafos eram gravadores, pintores e desenhistas, como Niepce, Daguerre ou Fox Talbot, e queriam um meio melhor de captar a realidade. A fotografia surgiu juntamente com outros processos de multiplicação de originais. William Newton formulou a primeira estética da fotografia em 1853: seria dever do fotógrafo aderir às leis das belas-artes e fazer as fotos mais “parecidas às obras de arte”. O livro de Henry P. Robinson, Pictorial Effect in Photography (1869; Efeito pictórico em fotografia), é um repertório de fórmulas acadêmicas, aplicadas nos anos seguintes. Oliver W. Holmes pugnava por uma fotografia direta, funcional e sem retoques, divorciada das belas-artes.

Niépce e Daguerre assinam seu contrato.

Uma entidade londrina, The Linked Ring, organizou salões de fotografia para “colocar a fotografia no mais alto nível artístico”. Nos Estados Unidos, em 1902, Alfred Stieglitz e amigos fundaram a Photo-Secession, que realizou mostras fotográficas de vanguarda e comprovou a autonomia da arte fotográfica, pela qual se expressaram mestres como Paul Strand, Edward Steichen e Edward Weston.

Nas décadas de 1920 e 1930, talvez como reflexo do pós-guerra, surgiu nos Estados Unidos um estilo de fotografia mais realista, que, na Alemanha, foi representado pelo movimento “Nova Objetividade”. No mesmo período, o trabalho do húngaro André Kertész e o estilo que o francês Henri Cartier-Bresson começou a criar — que ele chamaria, mais tarde, de busca do “momento decisivo” — ajudaram a transformar o fotojornalismo num gênero de arte.

Fotografia no Brasil

Antecedentes. A daguerreotopia chegou ao Brasil, em 1840, trazida pelo abbé Combes, capelão de um navio-escola francês e autor das três primeiras fotos tomadas em solo brasileiro: do Paço Imperial, do chafariz de mestre Valentim e da praia do Peixe, no Rio de Janeiro. O primeiro brasileiro a possuir uma câmera daguerre foi o imperador Pedro II, fotógrafo amador. Marc Ferrez, mestre dos primórdios da fotografia no Brasil, trouxe as chapas secas, os autocromos de Lumière e os papéis à base de brometo. Rompeu com o espírito retratista e mercantil e fotografou, pela primeira vez, índios e navios em alto-mar.

Outros nomes importantes foram Musso, retratista do início do século XX; Paulino Botelho, da Gazeta de Notícias que, em 1905, voou no balão Portugal para tirar fotos aéreas da cidade; e Augusto Malta, que fotografou o incêndio da Companhia Telefônica, o desabamento do Clube de Engenharia, em 1906, e o lançamento ao mar do navio Minas Gerais, em 1908.

No Museu Histórico Nacional há fotos sobre a guerra do Paraguai, que mostram tropas fardadas, ruínas da igreja de Humaitá e o acampamento das forças brasileiras. Há outras feitas na Vila do Rosário, em 1870, em que aparecem o conde d’Eu, comandante-chefe brasileiro da última fase da guerra do Paraguai, e seu estado-maior. Outras fotos mostram a missa campal em ação de graças pela assinatura da Lei Áurea, em 1888; e o embarque, em 1889, da família imperial brasileira, rumo ao exílio.

No primeiro aniversário da república, Marc Ferrez fotografou a festa de comemoração diante do quartel do Exército. Juan Gutiérrez, fotógrafo e fototipista espanhol, registrou no Rio de Janeiro, na década de 1880, a revolta da Armada e documentou a campanha de Canudos, onde teria morrido. Algumas de suas fotos ilustram edições antigas de Os sertões, de Euclides da Cunha. Outras coleções importantes dos primeiros tempos da fotografia no Brasil pertencem ao Museu da Imagem e do Som de São Paulo e ao do Rio de Janeiro, onde está o acervo de Malta; à Cinemateca Brasileira, em São Paulo; ao Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; ao Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro; e ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, no Rio de Janeiro, que inclui parte da coleção de Gutiérrez.

Fonte: Coladawe

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